Como tratar uma imagem?

duas fotos lado a lado de um combinado de sushi mostrando o antes e depois: do lado esquerdo a foto bruta, sem tratamento de imagem. do lado direito após um tratamento com correção de branco, tom, volume e seleção de cores

Lembro que quando comecei a mexer com tratamento de imagem – em meados de 1995 – o Photoshop (versão 3.x) era muito limitado e não podíamos cometer erros. Aliás, um erro só podia, pois não havia múltiplos undos (o “desfazer”), dá pra imaginar?! Também não tinha recursos de layers (camadas) e os pincéis não eram elaborados, além de outras tantas limitações. Mas, desde aquela época o processo de Seleção de Cores (grosso modo, é como chamam o tratamento de imagem para mídia impressa), sofre apenas a interferência das melhorias da ferramenta: as evoluções do programa.

Meu intuito neste artigo é tão somente explicar alguns processos básicos que considero importantes para correções de luz, cor e contraste, baseado na minha própria experiência nessa área. Acredito que seja muito mais voltado – e útil – para fotógrafos amadores ou pra quem tem uma câmera digital amadora ou semi-profissional mas não domina todos os seus recursos e se permite fazer uma foto sem aproveitar corretamente a luz, não corrige o balanço de branco (whitebalance), invasão de cor (colorcast) ou deixando fora de foco. Aliás, se existe alguma coisa que eu até hoje nunca vi o Photoshop corrigir é o foco de uma imagem borrada. Não é como uma foto escura que você ainda consegue “puxar” algum detalhe. Uma foto fora de foco é uma foto desfocada e pronto. Já era.

Você já parou pra analisar uma imagem qualquer e identificar rapidamente se sua temperatura é quente ou fria? Se está azulada? Se tem contraste?

Bons conhecimentos de fotografia ajudariam muito, mas não são necessários (estou desconsiderando o fato de você ser algum tipo de profissional).

A maneira com que você manipula a imagem vai depender tanto do seu conhecimento técnico (e isso aparece com o tempo e consequente domínio da ferramenta) quanto do feeling para analisar e compreender o que a imagem tem de falha e/ou que possa ser melhorado.

Analisando a imagem

tratamento de imagem no Photoshop da foto de uma cidade vista da janela mostrando as três áreas mais próximas do branco (1), preto (2) e meio-tom (3)

Ponto de branco¹: É a área mais clara da imagem e, a não ser que seja esse o objetivo, não deve ser confundida com áreas de luz direta como fontes de luz primária e/ou reflexos (ex.: lâmpadas, sol, superfícies cromadas, etc.). Geralmente são partes de uma parede ou chão branco, folha de papel ou algo que não seja o branco “chapado” (o branco zerado no modo CMYK ou 255,255,255 em RGB). É muito importante definir o correto ponto de branco da imagem pois assim fica mais fácil corrigir invasões de cor e podemos também definir sua temperatura: quente (amarelada ou avermelhada) ou fria (azulada ou esverdeada).

Ponto de preto²: Diferente do ponto de branco no nível de detalhamento, é a área mais escura da imagem mesmo. Geralmente uma sombra ou o que ela tem de mais escuro.

Griz ou meio tom³: Como o nome diz é o meio termo, o cinza, e é tão importante quanto o ponto de branco para definir a temperatura de cor da imagem: quente ou fria.

Familiarize-se com essas duas ferramentas: Níveis (Levels) e Curvas (Curves).

caixa de diálogo LEVELS do Photoshop exibindo o histograma e destacando os pontos de branco, preto e meio-tom no tratamento de imagem

caixa de diálogo CURVES do Photoshop destacando os pontos de branco, preto e meio-tom no tratamento de imagem

Tanto os Níveis (menu Image > Adjustments > Levels ou Ctrl+L) quanto as Curvas (menu Image > Adjustments > Curves ou Ctrl+M) do Photoshop têm em comum o ajuste dos pontos de branco, preto e meio tom (entre outros tantos controles) e ambos exibem o Histograma da imagem para controle. Para tratamento de imagem eu particularmente gosto de mexer pelas Curvas, sinto mais flexibilidade, mas é gosto pessoal.

os três conta-gotas dos pontos de branco, preto e meio-tom presentes nas janelas CURVES e LEVELS para tratamento de imagem no PhotoshopPois bem, repare nos conta-gotas, presente em ambas as janelas. São as target colors (cores alvo). É através deles que vamos determinar os 3 pontos-chave já mencionados. O mais claro (da direita) aplica um valor de branco ao local da imagem que você apontar; o mais escuro (da esquerda) aplica um valor de preto. O do meio, bom, o do meio deixa tudo verde. Brincadeira! 😛

Clique duas vezes sobre o conta-gotas da direita. A janela de configuração da cor-alvo aparece.

janela contendo todos os modos de cor com campos para configuração de um valor, nesse caso, um valor para o ponto de branco

Devido a minha “formação” em tratamento de imagem para mídia impressa, acostumei a configurar os valores das cores-alvo pelo painel do modo de cor CMYK (em destaque a direita na figura). Mas isso é relativo. Note que para o modo CMYK (cores de pigmento), o branco puro se dá pela subtração das 4 cores, ou seja, zero de ciano, de magenta, de amarelo e de preto resulta em ausência de cor: branco. Já para o modo RGB (cores de luz) é o inverso, a soma do vermelho, verde e azul resulta em branco puro.

Temperatura da imagem

Mas, e aí? Deixamos no branco puro? Se esse for o intuito, marcar uma área da imagem que seja realmente branco “chapado”, a resposta é sim. Mas se sua imagem não tiver esse tipo de área o ideal é deixarmos um pequeno valor. Algo em torno de -4% no RGB ou +3% no CMYK.

escala cromática avermelhada mostrando uma temperatura quente para o valor de branco definidoComo falei, acho mais fácil mexer no modo CMYK. Se configurarmos o branco nesse modelo, com +3%, teremos 3-3-3-0 (importante: deixe o canal K – preto – sempre em 0 para ponto de branco e meio-tom). Perceba como o degradé da escala cromática no grande box à esquerda desses campos fica avermelhado. Acabamos de configurar um ponto de branco quente.

Experimente configurar o ponto de branco em 3-2-2-0 e teremos um ponto de branco frio.

Clique em Ok.

Agora, com o conta-gotas do branco selecionado, clique em um ponto da sua imagem que seja branco (essa ação é tão subjetiva quanto técnica, e só a tentativa e erro vai poder te ensinar o melhor acerto). Clicou numa área que não era tão branca? Não faz mal. Clique em outra, e outra. Até que você encontre o verdadeiro ponto de branco, ou o mais próximo (isso não deve levar mais que uns 5 segundos!). Se em vez de ficar clicando até achar o ponto correto você quiser “zerar” as curvas, segure Alt e depois clique em Reset. As curvas voltam ao seu estado inicial e você precisará clicar (uma vez só) no conta-gotas branco para escolher um novo ponto na imagem.

Ponto de branco definido? Não feche a janela Curves (ou Levels) ainda! Vamos para o próximo. Clique duas vezes sobre o conta-gotas do meio. A mesma janela de configuração da cor-alvo aparece.

Meio tom quente: 45-45-45-0

Meio tom frio: 55-45-45-0

Clique em Ok.

Com o conta-gotas selecionado, clique em um ponto da imagem que seja cinza ou o mais neutro que encontrar. Clicou numa área nada a ver? Clique em outra. Assim como fez da primeira vez. Precisa “zerar” a escolha pra recomeçar? Bom, agora fica um pouco mais complicado porque você já definiu o ponto de branco. Se resetar nesse momento vai zerar toda a curva, inclusive o ponto de branco.

imagem de uma ave cuja foto original (a esquerda) apresenta um tom azulado e a foto a direita apresenta a mesma ave com um meio-tom mais neutro, sem perder as características da imagem como um todo

Até aí tudo bem. Como saber se o meio-tom escolhido é o correto? Só depende de você. Se a imagem não puxou pra nenhum tom (azulado, esverdeado, amarelado) e ficou neutra, está ótimo. A imagem acima teve somente o meio-tom corrigido.

Sendo assim, vamos para a última etapa. Clique duas vezes sobre o conta-gotas da esquerda. Agora, a definição do preto em quente ou frio não interfere tanto na imagem e você pode configurá-lo em 96-92-92-80 (opa! Definimos um valor para o canal de preto!)

Você pode estar se perguntando: “Por que esses valores?” – Olha, estou tentando ser metódico sem ser técnico. Procure entender que esses valores também carregam uma dose de subjetividade. Tratamento de imagem é subjetividade baseada nas mais variadas técnicas. Cada um tem seu estilo próprio.

Clique em Ok e, com o conta-gotas do preto selecionado clique no ponto mais escuro da imagem. Como ficou o aspecto geral da imagem? Já deu uma melhorada? Clique no checkbox de Preview para ver o antes e depois da aplicação e compare. Está tudo certo? Se sim, clique em Ok e encerramos essa parte com as Curvas (ou Levels). Se não, faça um ajuste fino na curva ou tente outros valores. Veja também se você não se enganou ao interpretar a temperatura da imagem. O que você pensou que pudesse ser frio na verdade ficaria melhor se fosse quente.

Por exemplo, um prato de salada pode ter todo o aspecto frio pela predominância de folhas verdes ou por ser um prato servido frio. Questão de coerência. Mas, acredite, tratá-lo como quente pode vai fazer toda a diferença. Na verdade, na maioria das vezes, tratar uma imagem como quente surte um resultado melhor, mais agradável. Exceto, claro, quando a foto for de um dia nublado, chuvoso, neve, etc.

Sugiro você aplicar esses conceitos de pontos de branco, preto e meio-tom e temperatura de cor em suas fotos antes de passarmos para a parte 2 deste artigo, onde falo de contraste, saturação e HDR (High Dinamic Range ou Grande Alcance Dinâmico).

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